Como fazer o controle de qualidade para laboratório de análises clínicas?

Como fazer o controle de qualidade para laboratório de análises clínicas?

A Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML) realiza pesquisas constantemente sobre o controle de qualidade para laboratório de análises clínicas. Em seus estudos, já apontou que esse controle, ainda que seja essencial, não é adotado pela maior parte do mercado. Menos da metade dos laboratórios de diagnóstico no Brasil possuem averiguação interna de qualidade.

Isso pode causar prejuízo à saúde dos pacientes, comprometimento da reputação do laboratório, queda na lucratividade e na produtividade, e até ações judiciais contra o negócio. Para evitar tais situações, é fundamental que o gestor se preocupe em fazer um controle de qualidade para laboratório de análises clínicas. Mas como realizá-lo?

Antes de ver as medidas, conheça um pouco mais o conceito de controle de qualidade para laboratório de análises clínicas!

O que é controle de qualidade para laboratório de análises clínicas?

O que é controle de qualidade para laboratório de análises clínicas?

Controle de qualidade para laboratório de análises clínicas é um conjunto de ações que têm como objetivo principal a manutenção da regularidade do empreendimento em diversas frentes. Precisão dos resultados, rastreabilidade dos procedimentos, confiabilidade transmitida aos usuários são apenas algumas situações.

O conjunto vai além de uma boa prática que pode proporcionar qualidade, segurança e eficiência nos exames. É também uma exigência da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), prevista na Resolução da Diretoria Colegiadas (RDC) 302/2005. Essa resolução define requisitos para a realização de exames de análises clínicas, citologia e patologia pelo laboratório, padronizando critérios sanitários para o atendimento em laboratórios.

Importância do controle de qualidade laboratorial

A importância do controle de qualidade para laboratório de análises clínicas não se resume a ter um empreendimento confiável, que presta serviços de excelência. Em outras palavras, esse controle não beneficia somente o negócio. Ele é fundamental para que os profissionais de saúde adotem condutas médicas coerentes para melhorar a condição de seus pacientes.

O exame laboratorial é, em muitos casos, a fonte de informação primordial na hora do médico tomar decisões para melhorar a saúde de uma pessoa. Com os dados fornecidos pelo laboratório, consegue delimitar tratamentos mais adequados. Por isso, o controle de qualidade para laboratório de análises clínicas é, antes de tudo, uma forma de contribuir para a promoção da saúde.

E isso é fundamental. De acordo com o relatório “Melhorando o Diagnóstico na Assistência à Saúde” (Improving Diagnosis in Health Care – 2015), do Instituto de Medicina (IOM), dos Estados Unidos, concluiu-se que os adultos daquele país têm, ao menos, um diagnóstico errado ao longo de sua vida. Tal situação provoca eventos adversos que dão origem a prejuízos à saúde, ações judiciais por erro médico e outros. 

No 47º Congresso da SBPC/ML, foram discutidas tendências no planejamento de controle da qualidade na área laboratorial. O médico norte-americano Curtis Parvin tratou sobre rastreabilidade e harmonização dos resultados dos exames para a mitigação do risco aos pacientes. Na visão do profissional, a rastreabilidade assegura a produção de resultados de testes comparáveis (medições que utilizam diferentes procedimentos), sendo fundamental para otimizar a diretriz clínica, diagnosticar a doença e realizar o correto manejo do paciente.

Diante da importância do controle de qualidade para laboratório de análises clínicas, o gestor laboratorial deve adotar cuidados para atender à legislação e ter procedimentos seguros. Mas como fazer isso?

Como fazer o controle de qualidade laboratorial e garantir a eficiência?

Como fazer o controle de qualidade laboratorial e garantir a eficiência?

Existem alguns passos para fazer o controle de qualidade para laboratório de análises clínicas e garantir sua eficiência. Listamos alguns a seguir.

Considerar os fatores certos

O controle de qualidade para laboratório de análises clínicas depende de fatores que devem ser mensurados e acompanhados para atingir os resultados. Cada setor do laboratório predetermina padrões e analisa métricas para garantir a qualidade na prestação dos serviços. E são 4 os pontos principais que devem ser considerados:

  • Controle Interno da Qualidade (CIQ): de acordo com a RDC nº 302/2005, CIQ são “procedimentos conduzidos em associação com o exame de amostras de pacientes para avaliar se o sistema analítico está operando dentro dos limites de tolerância pré-definidos”.
  • Controle Externo da Qualidade (CEQ): conforme definição da norma RDC nº 302/2005, CEQ é a “atividade de avaliação do desempenho de sistemas analíticos através de ensaios de proficiência, análise de padrões certificados e comparações interlaboratoriais”.
  • Biossegurança: com papel fundamental no controle de qualidade, a biossegurança é um conjunto de ações relacionadas à integridade do ambiente laboratorial, como tratamento do ar, esterilização dos equipamentos, manuseio correto de resíduos, uso de EPIs e EPCs, treinamentos para emergências, etc.
  • Otimização de processos e padronização de técnicas: maneira de se obter resultados fidedignos, consistentes e condizentes com a situação clínica do paciente. Em outras palavras, são ações que evitam interferências no processo e garantem um resultado sem alterações. Para tanto, utiliza-se POP (Procedimentos Operacionais Padrão) ou instruções de trabalho (IT).

Conseguir certificações e programas de acreditação

Certificações e programas de acreditação são medidas importantes para garantir o controle de qualidade para laboratório de análises clínicas. 

As certificações atestam que o serviço realizado pelo laboratório cumpre os requisitos específicos do setor. O exemplo mais famoso é o certificado ISO, da International Organization for Standardization (ISO). Para fazer o controle de qualidade, o gestor deve analisar toda a sua atividade para adequá-las aos requisitos exigidos pelas certificações. 

E esses documentos trazem consequências importantes para o negócio, como transmitir credibilidade ao serviço prestado ao paciente, garantir segurança e eficiência ao realizar procedimentos, otimizar processos de gestão e garantir a satisfação do cliente.

As acreditações laboratoriais têm objetivos muito semelhantes, pois atestam e reconhecem a qualidade dos serviços prestados. Além de cumprir os requisitos exigidos em uma certificação (normas brasileiras do setor), o laboratório tem seus procedimentos diários, dependência e equipamentos avaliados para verificar sua adequação aos serviços ofertados.

O processo de acreditação é sistêmico e comporta avaliações de qualidade em diversas frentes do empreendimento. Algumas acreditações reconhecidas no mercado são: 

  • Organização Nacional de Acreditação (ONA);
  • Joint Commission on Accreditation of Healthcare Organizations (JCAHO);
  • Departamento de Inspeção e Credenciamento da Qualidade (DICQ), da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC);
  • Programa de Acreditação de Laboratórios Clínicos (PALC) da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/ Medicina Laboratorial (SBPC/ML).

Na prática, as acreditações e certificações avaliam fatores importantes na prestação de serviços. Para consegui-las, tudo deve estar em ordem no laboratório. Imagine que a iluminação ou a temperatura de uma sala não esteja no limite correto. Isso pode influenciar no resultado de um exame. Esse critério será avaliado na hora de conseguir certificações e acreditações. Por isso, elas têm importante papel na hora de fazer o controle de qualidade para laboratório de análises clínicas.

Utilizar indicadores

Indicadores são ferramentas que permitem comparações internas e externas de serviços de mesma característica. Quando falamos de gestão da qualidade, são itens de controle que medem a prestação do serviço em saúde em dois aspectos: operacional (corresponde ao processo propriamente dito) e percepção do cliente sobre o tipo de serviço oferecido.

Com os indicadores de desempenho, o laboratório identifica pontos fortes e fracos. A partir dessa análise e interpretação, consegue adotar ações de melhoria para prestar um serviços de excelência. Por isso, os indicadores são importantes para o controle de qualidade para laboratório de análises clínicas.

Um método muito utilizado para fazer esse controle de qualidade com indicadores é o benchmarking. Por conceito, benchmarking é a comparação sistemática de informações ou um padrão de referência pelo qual outros podem ser medidos ou julgados. Trazendo para a realidade laboratorial, é o método por meio do qual o laboratório compara seus serviços com instituições de altos níveis de qualidade e aprimora seus resultados. 

O benchmarking pode ser:

  • Competitivo: comparação de processos semelhantes entre concorrentes diretos. É a forma mais comum;
  • Interno: comparação ocorre por processos semelhantes entre setores de uma mesma instituição;
  • Funcional: comparação entre instituições semelhantes, mas atuantes em em mercados distintos.

Carmen Ricós, teórica do tema, define indicadores laboratoriais como “medidas numéricas de erros ou falhas de determinado processo em relação a seu número total (acertos e erros)”. Em outras palavras, são especificações da qualidade. O desempenho de um processo laboratorial será considerado satisfatório caso esteja nos limites estabelecidos nos indicadores. Por isso, seu objetivo não é dar respostas, mas indicar problemas potenciais, permitindo a adoção de ações preventivas.

Mas quais indicadores o gestor deve utilizar em seu laboratório? A definição do número e dos tipos é baseada na complexidade e no tamanho do negócio, bem como na missão e nos objetivos do serviço. Não existe um padrão nacional ou internacional. Em cada fase (pré-analítica, analítica e pós-analítica), diferentes indicadores podem ser utilizados.

O que se deve ter em mente são os fatores que precisam ser analisados. Na fase pré-analítica, por exemplo, é o momento em que ocorre a maior porcentagem de erros. Nela, é preciso estar atento a identificação correta do paciente e informações relevantes sobre ele (idade, etnia, sexo, uso de medicamentos, etc.), orientações acerca do preparo adequado para a coleta, coleta, identificação e transporte da amostra biológica, processamento da amostra (centrifugação e aliquotagem), entre outros.

A partir dessa análise, é possível estudar as porcentagens de erros e acertos. Mas vale destacar que as práticas de controle de qualidade nem sempre exigem aplicação da matemática avançada. Apoiar a boa prática médica, o tratamento humanizado e garantir resultados precisos são medidas igualmente importantes.

Realizar o correto manuseio de amostras

O manuseio de amostras biológicas é uma ótima medida na hora de fazer o controle de qualidade para laboratório de análises clínicas. A exatidão dos procedimentos depende de métodos, equipamentos e recipientes dentro dos padrões de qualidade. Eles devem manter os resultados de análises fidedignos, evitando falhas de qualquer natureza. E como realizar o manuseio correto de amostras, inclusive na fase pré-analítica?

O primeiro passo é utilizar os materiais de forma adequada. Os profissionais devem se atentar ao uso de equipamentos, recipientes, embalagens e demais instrumentos. Além disso, na primeira interação com paciente, deve fazer a devida identificação das amostras, uma vez que a ausência de identificação pode gerar grandes transtornos para o laboratório (retrabalho, desorganização e erros de análise).

A padronização de processos é outra medida para o correto manuseio de amostras, contribuindo para o controle de qualidade para laboratório de análises clínicas. Estabelecer uma sequência lógica de procedimentos à qual todos se habituam a executar (sistematização) contribui para torná-los mais ágeis, eficientes e seguros. Assim, o laboratório atende a toda a demanda com qualidade e sem erros. No mesmo sentido, ter uma soroteca eficiente, com estrutura organizada para lidar com alto volume de amostras e informações, é uma medida eficaz para evitar erros. 

Por fim, os profissionais devem estar atentos às variações cronobiológicas, uma vez que muitos materiais retirados do corpo humano sofrem alterações em decorrência do transcurso do tempo. Assim, a variação cronobiológico deve ser analisada em diversos aspectos do processo, como transporte do material para outra localidade.

Vale ainda destacar a realização da acreditação laboratorial, sobre a qual falamos anteriormente.

Adote o interfaceamento de resultados

A ferramenta de interfaceamento de resultados é capaz de interligar o sistema de gestão laboratorial com o equipamento de análise. Muito presente em laboratórios com pensamento inovador, ela pode ser uma solução autônoma ou estar integrada em um software. Mas como ela garante o controle de qualidade para laboratório de análises clínicas? Em suma, é uma técnica avançada que mantém a máxima eficiência e confiabilidade dos procedimentos realizados. 

Ela consegue automatizar o registro do exame logo após sua execução, por exemplo. Também é capaz de bloquear automaticamente exames alterados, evitando sua entrega ao paciente antes que o equipamento seja calibrado. A ferramenta também elimina a necessidade de mapas de trabalhos manuais (suscetíveis a erros humanos) e compara os exames, apontando taxas anômalas e regulares.

Pode-se dizer que o interfaceamento de resultados contribui para o aumento da segurança no laboratório, proporcionando agilidade e minimizando erros.

Utilizar tecnologia

A rotina de um laboratório de análises clínicas envolve, ao mesmo tempo, muitos procedimentos burocráticos e tarefas complexas. Diante de um cenário cheio de possibilidades, o uso da tecnologia aparece como algo fundamental para otimizar a gestão e os processos internos. Isso é fundamental para o controle de qualidade para laboratório de análises clínicas.

Uma medida que pode ser adotada pelo gestor é a utilização de algoritmos na interpretação de exames. Esse sistema é uma tendência na área de análises clínicas. A inteligência artificial, por meio de algoritmos, consegue diagnosticar algumas doenças crônicas como obesidade, diabetes e hipertensão. E como isso ocorre? Com base em dados informados pelo paciente via internet.

O sistema interpreta os exames laboratoriais e aponta as prováveis doenças que o indivíduo pode ter com base nos dados clínicos dos exames. Mesmo que o médico se mantenha indispensável, essa tecnologia pode ser empregada como recurso auxiliar que agiliza o diagnóstico do paciente.

Além do uso de algoritmos, o gestor pode utilizar alguns aplicativos e soluções que melhoram a rotina de um laboratório de análises clínicas. Existem muitos processos importantes para que a regularidade das atividades seja mantida. Afinal, garantir a qualidade em cada uma delas é a forma de conseguir acreditações e certificações.

E entre as tecnologias que merecem destaque está o software de gestão especializado no acompanhamento de rotinas de laboratórios.

Software de gestão laboratorial

Um bom software de gestão laboratorial faz toda a diferença na qualidade organizacional do empreendimento. Com ele, é mais fácil garantir a eficiência necessária para as entregas, uma vez que serve de base para inúmeras atividades. Um sistema possui muitas funcionalidades. Controle financeiro, recepção, controle de estoque, entrega de laudos e outros módulos costumam integrar a solução.

Dentre as vantagens que essa tecnologia apresenta, estão: 

  • automatização de processos: facilita o fluxo de atendimento desde a solicitação de exames pelo paciente até a entrega do laudo; permite o acompanhamento integral e eletrônico do faturamento, controlando o fluxo de caixa conforme convênios e SUS;
  • melhor organização dos dados e informações dos pacientes e procedimentos: possibilitam o aumento da produtividade das equipes e, consequentemente, da lucratividade da empresa;
  • integração com outras plataformas e interfaces de automação: dinamizam a rotina do laboratório e agilizam a comunicação;
  • adaptabilidade com a empresa: recursos do software podem ser utilizados conforme a necessidade do laboratório.

A maior vantagem do sistema de gestão para o controle de qualidade para laboratório de análises clínicas é a reunião de informações e dados em um só lugar. Ele torna mais fácil a visibilidade da gestão como um todo. Assim, possibilita identificar alterações de resultados, organizar a rotina de controle, evitar o uso de equipamentos que não estão calibrados, ou bloquear resultados de exames que estejam fora do padrão.

Garantindo a qualidade, a ferramenta contribui para que o laboratório atue sempre em conformidade com as práticas e regulamentações do setor.

O controle de qualidade para laboratório de análises clínicas é essencial para que o negócio cresça de forma sustentável e organizada. Sua importância, porém, não se limita ao empreendimento. Um laboratório que preza pela qualidade possui papel fundamental na promoção da saúde.

Para que isso ocorra, o gestor deve adotar boas práticas de controle. Elas podem envolver indicadores, acreditações e uso de tecnologia, especialmente de sistema de gestão laboratorial.

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