5 principais riscos em laboratório de análises clínicas e como evitá-los

5 principais riscos em laboratório de análises clínicas e como evitá-los

O profissional tem direito de trabalhar em um ambiente seguro. O dono do negócio tem o dever de fornecê-lo. Essa equação só fecha se existirem medidas em prol da segurança do trabalho. E isso é fundamental quando se fala em laboratórios. O gestor deve ter em mente sua função de minimizar ou eliminar os riscos no laboratório de análise clínicas, que não são poucos.

O primeiro passo é conhecer as exigências quanto ao assunto, o que envolve saber as normas aplicáveis e a importância da segurança no trabalho. O segundo passo é conhecer quais são os riscos em laboratório de análise clínicas. Por fim, é preciso adotar as práticas que evitam os riscos e os acidentes no local de trabalho. Confira a seguir!

Importância da segurança em laboratório de análises clínicas

Importância da segurança em laboratório de análises clínicas

Prevenir acidentes relacionados à ocupação profissional. Esse é o objetivo da segurança do trabalho: proteger os trabalhadores. Em um laboratório de análises clínicas, eles estão submetidos a inúmeros riscos, situações que ameaçam sua saúde ou integridade física. E daí nasce a importância de compreender e adotar práticas de segurança neste ambiente.

O portal Academia de Ciência e Tecnologia realizou uma pesquisa que aponta o maior risco em um laboratório: materiais perfurocortantes (seringas, agulhas etc.), que são responsáveis por 80% a 90% dos acidentes. 

Esse tipo de situação que envolve os riscos no laboratório de análises clínicas não somente ameaçam a saúde ou integridade física do profissional, como também diminui a qualidade do trabalho e do serviço prestado ao cliente. Compreendê-los e atuar para minimizá-los ou eliminá-los é, assim, importante para preservar o trabalhador e para atender melhor ao cliente.

Essa importância está traduzida, inclusive, em algumas normas.

Normas aplicáveis

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) criaram padrões e normas de condutas que podem minimizar ou eliminar os riscos em laboratório de análise clínicas, garantindo a segurança do trabalho nesses ambientes.

Uma delas é a RDC 302/2005, que exige do dono do negócio um manual de biossegurança para treinar e capacitar sua equipe. Os laboratórios já utilizam Procedimentos Operacionais Padrão (POP) que padronizam as condutas do dia a dia, minimizando a ocorrência de erros. O manual se destina à informação dos profissionais acerca de:

  • Normas e condutas de segurança física, química, ambiental, biológica e ocupacional;
  • Manuseio de amostra biológica e transporte de materiais;
  • Instruções de uso para equipamentos de proteção;
  • Condutas em caso de acidentes.

Outra norma importante é a NBR 14785, da ABNT, criada especialmente para proteger pacientes e colaboradores individualmente. De acordo com a norma, os colaboradores devem ser treinados para interromper a atividade, em caso de risco imediato, identificar e notificar problemas de segurança, recomendar ou providenciar ações que corrijam situações de risco, bem como participar e acompanhar a implementação das ações corretivas.

Cabe destacar, por fim, que o Ministério da Saúde obriga os laboratórios de análises clínicas a fornecer equipamentos de proteção individual a seus profissionais, com o objetivo de minimizar os riscos devido ao contato com substâncias danosas, materiais perfurocortantes, agentes infecciosos, entre outros.

Principais riscos em laboratório de análises clínicas

Um risco representa um possível efeito adverso ou dano. Uma condição ou conjunto de circunstâncias podem ameaçar a saúde ou a integridade física, o meio ambiente ou a propriedade. 

Ele pode ser classificado como físico (umidade, temperatura, radiação, vibração, ruído, etc.), químico (vapor, gás, poeira, substâncias químicas, etc.) e biológico (fungos, bactérias, vírus, etc.), situacional (abrange equipamentos, instalações, ferramentas, operações, materiais, etc.), humano e comportamental (decorre de ação ou omissão humana).

Os riscos em laboratório de análises clínicas segue essa teoria. Apesar da tendência em pensar somente nos riscos por contaminação, esse ambiente é muito mais complexo. Existem 5 principais grupos de riscos no laboratório de análise clínicas: acidentais, biológicos, ergonômicos, físicos e químicos.

1. Riscos acidentais

Riscos acidentais são situações de perigo que podem ameaçar a integridade, o bem estar físico e moral do profissional. São riscos encontrados em máquinas e equipamentos sem proteção, que podem causar explosões e incêndios. Os riscos em laboratório de análises clínicas mais comuns nesta modalidade são queimaduras, cortes e perfurações.

2. Riscos biológicos

Outro grupo de risco em laboratório de análises clínicas é o biológico. Ele se relaciona ao manuseio ou contato com materiais biológicos e animais infectados com agentes biológicos nocivos (vírus, bactérias, fungos e outros). Esses riscos são responsáveis por doenças provenientes da contaminação.

3. Riscos ergonômicos

Os riscos ergonômicos são aqueles que podem ser atribuídos a postura inadequada, movimentos repetitivos, transporte manual e levantamento de peso. São lesões que podem interferir nas características psicofisiológicas do profissional, prejudicando a execução de suas atividades.

O trabalho em turnos muito longos também é um exemplo de prática que causa riscos ergonômicos.

4. Riscos físicos

Riscos físicos são aqueles gerados por máquinas e condições físicas inadequadas, que podem causar danos à saúde do trabalhador. São exemplos: pressões anormais, ruídos, temperaturas extremas de frio e calor, radiações ionizantes e não-ionizantes, vibrações e umidade.

Um estudo realizado como parte da Dissertação de Mestrado “Riscos ocupacionais em laboratório de análises clínicas: retrato de uma realidade”, apresentada na Universidade de Franca (SP), trouxe dados interessantes sobre esse ambiente de trabalho. A pesquisa foi feita com 8 profissionais, sendo quatro biomédicos, um responsável técnico, uma auxiliar de clínica e três recepcionistas.

Acerca dos riscos físicos, eles apontaram alguns equipamentos que contribuem para os ruídos, como centrífuga , aparelhos  de automação para realização de exames hematológicos e bioquímicos, capela de fluxo laminar, aparelho de ar condicionado, autoclave e exaustor.  

Os biomédicos apontaram a exposição às radiações não-ionizantes decorrente do uso da capela de fluxo laminar. Outros profissionais pontuaram a exposição ao calor no uso da autoclave e do bico de Bunsen, bem como nas operações de limpeza, desinfecção e esterilização de materiais e áreas laborais e no preparo de soluções. 

5. Riscos químicos

Outro grupo de risco em laboratório de análises clínicas que pode ser evitado são os riscos químicos. Eles se ligam diretamente à exposição do trabalhador a agentes ou substâncias químicas que podem penetrar no organismo por vias respiratórias, por ingestão ou pela pele. Essas substâncias podem estar na forma líquida, gasosa ou como partículas presentes nos ambientes ou processos de trabalho.

Em  relação aos riscos químicos, o estudo apresenta queixas dos profissionais, que abordaram a exposição a gases devido ao uso de reagentes químicos (ácido clorídrico, etanol, ácido acético, etc.) e de determinadas substâncias (ácidos acético e o clorídrico) utilizados em reações  de eletroforese e no preparo de reagentes para coloração de lâminas.

Práticas para evitar riscos no laboratório de análises clínicas

Práticas para evitar riscos no laboratório de análises clínicas

Para garantir a segurança no trabalho, o gestor deve se atentar para as práticas que minimizam ou eliminam os riscos no laboratório de análises clínicas. Existem algumas fundamentais, que listamos a seguir.

Análise dos fatores de risco

As diversas situações presentes em um laboratório de análises clínicas devem ser mapeadas. Para isso, é importante fazer uma análise dos fatores de risco existentes nas tarefas e operações do cotidiano do ambiente de trabalho. Essa análise também poderá ser complementada com a identificação do grau de insalubridade para os trabalhadores expostos a agentes insalubres acima dos limites de tolerância.

Na análise, cada um dos tipos de risco recebe uma cor diferente. Veja:

  • Cor de identificação do risco acidental: azul.
  • Risco ergonômico: amarelo;
  • Risco químico: vermelho;
  • Risco biológico: marrom;
  • Risco físico: verde.

A partir dessa análise, o gestor também consegue verificar quais as condutas podem e devem constar no manual de biossegurança, assim como quais EPIs serão necessários para neutralizar os riscos no laboratório de análises clínicas.

Elaboração de manual de biossegurança

O manual de biossegurança é um documento primordial para garantir a segurança no trabalho. Neste manual, deve constar:

  • Instruções escritas que contemplam normas e condutas de segurança  biológica, química, física, ocupacional e ambiental;
  • Procedimentos em caso de acidentes no manuseio e transporte de material e amostra biológica;
  • Providências imediatas a serem tomadas pelos profissionais diante de um incidente;
  • Especificação de práticas e procedimentos para eliminar os riscos;
  • Instruções de uso para os EPIs e EPCs;
  • Identificação dos riscos.

Uso de EPIs

O uso de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) e de EPCs (Equipamentos de Proteção Coletiva) é crucial para aumentar a segurança do trabalho e diminuir os riscos em laboratório de análises clínicas, especificamente os riscos acidentais. 

Existem EPIs voltados para a proteção da cabeça (capuz, touca, capacete), dos olhos e do rosto (viseiras, óculos, máscaras), do tronco (coletes e jalecos), dos membros superiores e inferiores (luvas descartáveis, braçadeiras, luvas anti-incêndio, calças, botas, etc.). Há ainda equipamentos destinados a proteção auditiva ou auricular (protetores auriculares e abafadores) e respiratória (respirador).

O gestor ou responsável deve garantir que os profissionais utilizem os EPIs no ambiente de trabalho. É, inclusive, comum ver a equipe trabalhando sem luvas, máscaras de proteção ou óculos. Se necessário, notifique-a sobre a obrigatoriedade do uso.

Já os EPCs são materiais fixos ou móveis instalados no local de trabalho para proteger coletivamente a equipe e a empresa. Em laboratórios clínicos, o melhor exemplo são as Cabines de Segurança Biológica (CSB) ou capelas de fluxo laminar, que protegem o ambiente. Outros equipamentos coletivos são as barreiras de proteção, o piso antiderrapante, o corrimão, as fitas e outros materiais sinalizadores.

Capacitação dos colaboradores

Outra medida fundamental para minimizar ou eliminar riscos em laboratório de análises clínicas é a capacitação dos funcionários. Sua equipe sabe lidar com emergências? Sabe como executar os procedimentos previstos no manual de biossegurança e nas normas sobre o assunto? Treiná-la é essencial para que os profissionais saibam neutralizar os problemas que podem existir.

É muito comum nos laboratórios que os profissionais não recebam treinamento ou orientação sobre como proceder diante de um acidente de trabalho (ainda que saibam como agir). Esse fato só retrata que, apesar de a equipe “se virar” quando um imprevisto ocorre, a preocupação com a conscientização não parte do gestor. E isso pode ser um fator que influencia negativamente nas avaliações do negócio. 

Além disso, é pouco provável que os profissionais conheçam as leis federal, estadual e municipal relacionadas a pontos que envolvem riscos em laboratório de análises clínicas. Um exemplo claro é o descarte de resíduos no laboratório. Pela prática, a equipe sabe como descartar diferentes tipos de resíduos, como os materiais perfurocortantes em recipientes apropriados. Mas não sabem a teoria.

Um exemplo que coloca à prova o conhecimento prático é o derramamento de substâncias químicas. Há casos em que o profissional utiliza uma substância incompatível para fazer a limpeza, piorando a situação. Usar pano e papel para ácido sulfúrico e solução sulfocrômica é um exemplo clássico de incompatibilidade, já que podem entrar em combustão. São situações em que é preciso experiência e conhecimento para evitar maiores problemas.

Diante desse cenário, é função do gestor prover capacitação adequada para que os profissionais saibam exatamente o que fazer diante dos riscos no laboratório de análises clínicas.

Investimento em estrutura adequada e manutenção

Alguns riscos, como ergonômicos e acidentais, podem ser evitados se houver uma estrutura adequada no laboratório. Certamente, tudo deve sofrer manutenção constante, como é o caso de mesas, materiais e bancadas, que precisam ser limpos constantemente para garantir que fiquem livres de agentes infecciosos. 

Na hora de equipar seu laboratório, escolha móveis com superfície rígida, e não porosa, para evitar o acúmulo de sedimentos e facilitar a limpeza. Instrumentos e equipamentos devem ser de fácil manutenção, possibilitando limpeza e esterilização facilitadas diminuindo as chances de acidentes no laboratório.

O piso antiderrapante é outra medida de segurança importante para o laboratório, pois diminui as chances de acidentes de percurso, especialmente se o chão estiver umedecido. Já pensou se um colaborador, portando um frasco de reagente corrosivo, escorrega e cai no chão? Pode ocasionar grandes problemas.

Definição de protocolos

Se seu laboratório não possui um procedimento operacional padronizado para cada tipo de atividade realizada, você não definiu protocolos, algo fundamental para minimizar riscos. Os protocolos devem ser definidos conforme cada serviços oferecido pelo negócio. São eles que orientam os profissionais na hora de conduzir os processos, aumentando a previsibilidade das ações realizadas no laboratório e minimizando o índice de erros. 

Quando os procedimentos operacionais estão preestabelecidos, evita-se bastante problema, como a exposição a materiais infectantes ou a mistura equivocada de reagentes.

Uma boa forma de definir protocolos e padronizar processos é utilizar um sistema de gestão laboratorial.

Atendimento médico e primeiros socorros

Atendimento médico e primeiros socorros

Você estudou os riscos no laboratório de análises clínicas, identificou todos eles em sua análise, definiu protocolos, investiu em estrutura adequada, capacitou suas equipes e orientou todos sobre o uso de EPIs. Ainda assim, em qualquer atividade, os riscos existem. E quando um acidente acontece, o gestor deve estar preparado para oferecer todo o tipo de suporte ao acidentado.

Um profissional foi expostos ao contato com produtos químicos ou rejeitos radioativos? Ele deve ser afastado imediatamente de suas atividades e ser encaminhado para orientação médica. Outro colaborador teve um corte profundo por vidro impregnado por substância química potencialmente perigosa? Deve procurar atendimento médico e levar todas as informações sobre a substância que estava sendo utilizada. 

Aliada ao atendimento médico, é preciso prestar os primeiros socorros. Eles envolvem cuidados como retirar o acidentado do local de perigo, manter a calma, acompanhar o ferido até o local de atendimento médico, acionar o alarme ou o serviço de salvamento, dentre outras condutas.

O atendimento médico e a prestação de primeiros socorros é fundamental para atenuar o incidente, de modo a preservar, ao máximo, a saúde e a integridade física do acidentado. Quando não é possível evitar os riscos em laboratório de análises clínicas, deve-se estar preparado para lidar com o acidente.

Os riscos em laboratório de análises clínicas têm potencial para causar danos à saúde e à integridade física dos profissionais. Isso ocorre em função de sua natureza, intensidade e tempo de exposição. Por isso, além de fazer o mapeamento correto dos riscos, o gestor deve observar as normas aplicáveis ao ambiente de trabalho para adotar as melhores práticas possíveis para a proteção de todos os trabalhadores. 

Quer saber mais sobre o assunto e garantir a biossegurança em laboratórios de análises clínicas? Leia no blog!

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